Blog do Ajeum

Teste de Figurino para o novo espetáculo

Tivemos visita essa semana Eder Lopes (@e.ederlopes )nosso figurinista para o novo espetáculo do projeto IKU – contemplado pelo programa municipal de Fomento à Dança da cidade de São Paulo. Pensar as roupas a serem usadas no universo criado pelo espetáculo é sempre uma surpresa. As camadas que as vestimentas podem atravessar no movimento, na coreografia, são sempre pautas nas conversas. Trazemos algumas referências de cores e estruturas, mas o restante do trabalho é do artista criador dessa plasticidade. Seguimos na criação de outras narrativas!!!…..📸 @eri0sa

INSCRIÇÕES ABERTASFESTIVAL AJEUM: Raízes de Raquel Trindade

O Núcleo Ajeum lança o seu Festival como mais uma possibilidade em criar espaços de trocas e partilhas de saberes. Totalmente online, essa edição receberá propostas de trabalhos de dança entre outras ramificações das artes do corpo. O Festival Ajeum é uma mostra de arte negra que tem como um dos pilares o desejo de reverenciar nossas griot e mais velhas. Nessa primeira edição a femenageada é nossa eterna Rainha Kambinda, dona Raquel Trindade que entregou ao mundo diversas manifestações artisticas ao longo de sua trajetória. Na dança, na escrita, artes visuais, folclórica e por aí vai. Acessem ao formulário para ter maiores informações sobre as inscrições e o festival.https://forms.gle/yy76UtKqkcPaXysY8 Dúvidas, mandem msg via inbox ou pelo email: festivalajeum@gmail.com Cola !!!!Arte: @brunomarcitelli

Oxalá, Bailarino
Na programação do Em Casa com o Sesc
@sescaovivo

Sinopse:

Inspirado na divindade africana, a dança “Oxalá, bailarino” traz na construção de sua gestualidade o exercício da paciência, da calma e da criatividade enquanto proposição para uma solidariedade dos sentidos, que reelabora modos de ser e estar em situações de conflito mental, físico e espiritual.
O movimento para gerar a paciência reverbera na musicalidade que por consequência pode gerar calma ou conflito. Ambos sentidos dotados de bruta criatividade e flexibilidade. Oxalá, a primeira divindade a dançar na terra. O mais velho e de grande sabedoria. O que pode o bailarino alado dançar para equilibrar os sentidos?

AQUILOMBAR-SE: Assentamento Artístico

Estamos aqui para lançar mais essa novidade. Chamamento para…AQUILOMBAR-SE: Assentamento Artistico. Ação de processos formativos que visa aproximar um público interessado nas práticas e pesquisas corporais e teóricas do núcleo, comprometidos em difundir e descentralizar suas discussões acerca das danças contemporâneas e danças cênicas alimentadas pelas estéticas afro diasporicas. Ficou interessada??Se achegue no formulário de inscrição na BIO e no nosso site. Que por lá tem maiores informações.https://forms.gle/7xSZV2Gv5yArCHM29Qualquer dúvida tb entrem em contato com a gente! Bora fazer ventar ?? Epahey

Chamamento para contratação de estagiária (e/o) / Artista Residente.

Irá acompanhar os processos de pesquisa do Núcleo Ajeum pelo Projeto IKU contemplado pelo fomento à dança da cidade de São Paulo.

Esses processos envolvem ações formativas, discussões, pesquisas, ensaios, além da nova criação do núcleo.

Na bio estará o link de acesso do Formulário de Inscrição.
https://forms.gle/FE4DCnhYhCiyQQ5G8

Qualquer dúvida, chama a gente!!

Axé o.

#nucleoajeum#projetoiku#danca#fomentoadanca#smc

ARAÀIYÉ- POVO DA TERRA

bom dia, boa tarde boa noite minha velha, minha nova!!!

O dia raia e com ele mais uma nova possibilidade de ser e estar no mundo.

Nós do Núcleo Ajeum temos a alegria de alertar para mais uma ação.
O lançamento da mini série ARAÀIYÉ – POVO DA TERRA.

Cada intérprete foi provocada
e orientada a refletir sobre a existência deste corpo neste plano e o como suas trocas podem estrurar caminhos, trajetos e engajamentos em suas relações.

Fique ligadinha aqui que os episódios serão lançados todas as sextas feiras.
Serão 12 episódios no total!!! Acompanhem os episódios no nosso instagram @nucleoajeum

Apoiem a arte independente, os artistas da dança, do corpo, da cena no geral… apoiem artistas pretos e periféricos.

àṣẹ

Sigamos…

Este projeto foi contemplado pela Lei de emergência cultural Aldir Blanc na cidade de São Paulo.

Sobre a Revista AJEUM: quem quiser um exemplar ou o link da versão online, entrem em contato com a gente !! ❤

O documentário está em fase de finalização de forma independente, sem editais e/ou verbas. Inclusive fica aqui um espaço para quem se sentir a vontade e confortável em nos ajudar – financeiramente, indicações, entre outras formas – ficamos muito gratos !!


Texto de Marina Souza – “O feminino”

“Oyá, oh mulher forte, poderosa e sagrada”, dizem os versos do Afoxé Oyá Tokolê (PE), para mim uma das mais simples e contundentes leituras sobre a energia manifesta de Iansã, uma força que não dá espaço a incertezas, ela perfura, fulmina, convoca os corpos à revolução. É a própria energia feminina da transformação, está em tudo, revela em seu movimento o ímpeto de um furacão que não permite que nada permaneça no mesmo lugar. Com Iansã tudo se aprende, ela é a pura raiz dos mais profundos ensinamentos, nem sempre sutis, quase nunca silenciosos, mas de uma capacidade peculiar de iluminação dos oris, dos caminhos.

Iansã é quem comanda o sopro de todos os ventos, leva pra longe as amarguras, os desenganos, traz para perto as mais sagradas oportunidades de reencontro do ser com algo muito precioso, talvez perdido, nas emboscadas do caminho. Iansã é a bela rainha que a todos protege em sua saia, tão grande quanto é seu coração. É a mulher que ensina a guerrear, nos faz entender que a vida é feita de trajetos tão furiosos quanto arrebatadoramente apaixonantes e que para tocá-la é preciso profundidade.

Ela une almas que produzem grandes tempestades, e tempestade é onde se morre e se nasce, onde se cria e onde se destrói. Ajeum é tempestade criada com o sopro sagrado de Iansã, por onde flutuaram corpos/espíritos artísticos na direção do encontro com um feminino voraz, capaz de recitar versos-movimento numa dança que alimenta a chama de suas finitas existências. É a feminina ancestralidade que mora no presente, que se faz perfeição na natureza, que conduz os corpos(afetos) a estados de transmutação…

Oyá é a mulher que carrega no peito efusivas memórias, leva consigo todas as razões que a fazem nunca abandonar suas lutas. Sua fúria é corpo de búfalo, não deixa restar pedra sobre pedra, rasga a própria pele, revira, vai ao ataque e também se cansa. Ela vai a qualquer lugar, vento no rosto e fogo no peito, intuição e a beleza de um milhão de borboletas que descobriram o céu. Nada certo, nem definitivo, não há como controlar Oyá, porque ela é a expressão da natureza no exercício de sua plenitude, movimento, transformação.


Texto por Sabrina Dias e o feminino no processo de criação:

Oya – sobre o feminino, as construções poéticas dramatúrgicas e suas reverberações

 A pesquisa se desenvolve desde os seus princípios trabalhando com Oya – Iansã sendo o mito central. É sobre uma mulher, sua feminilidade, seus devires e as transformações que surgem a partir dela. Em todos os contos e lendas é sempre tratada como a guerreira, forte, destemida, materna e dona de poderes inigualáveis sobre a natureza e seu próprio corpo.

Com os estudos prático-teóricos das qualidades desse orixá, entre elas: vento, búfalo e borboleta, foi possível observar uma identificação com as características, principalmente, acredito eu, por parte das intérpretes que se identificam com essa figura da mulher. Mulheres aqui em questão, negras.

Me lembro do nosso primeiro procedimento para experimentar a corporalidade do búfalo, nesse dia fazia um ano da morte de Marielle Franco e todos nós ficamos muito mexidos. Após o procedimento, na roda de conversa, um dos apontamentos levantados foi a percepção da força feminina muito forte presente na sala de ensaio, vindo das três intérpretes Aysha, Marina e Sabrina e como nossos corpos estavam furiosos e ao mesmo tempo ali naquela experimentação do que vinha a ser esse corpo búfalo tinham tanto a dizer. Tentamos perceber com qual dos arquétipos mais nos identificamos e como nos afeta criativa e imageticamente no trabalho.

Outro atravessamento importante foi a presença de somente mulheres na orientação e provocação cênica do projeto, com pesquisas e vivências sobre o tema:  Deise de Brito, Kanzelu e Yaskara Manzini vieram com muita generosidade e cuidado nos encontros, desde as demandas corporais afro-diaspóricas na preparação e passagens técnicas como na linguagem poética-dramatúrgia do trabalho. A percepção dessas mulheres completamente diferentes entre si nos trouxe um outro ponto de vista e com certeza um firmamento da presença e força do feminino que permeia esse projeto.


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