IKU

[ em construção ]

Como falar artisticamente da morte no contexto de um luto coletivo como o da pandemia? O Núcleo Ajeum, da periferia sul de São Paulo, parte do corpo negro, de sua cosmovisão de mundo e do universo pluridimensional dos terreiros e seus afrossentindos para mostrar a etapa atual da pesquisa e criação do espetáculo IKU, Orixá do panteão yorubá e palavra que significa morte.

As culturas africana e afro-brasileira embasam o trabalho que lança mão de uma leitura do conceito de necropolítica, conforme o pensador camaronês Achille Mbembe chamou o poder do Estado decidir quem pode viver ou deve morrer em conjunturas de absoluta desigualdade na distribuição de renda, como a brasileira.

Dessa forma, a “IKUPOLÍTICA”, como o grupo delineia poeticamente a partir dos escritos de Wanderson Flor do Nascimento, propõe que se possa sentir as ausências, questionar os motivos e suas estruturas, porém mantendo a possibilidade de celebrar esse ancestral que se foi, suas ações, sua existência, suas contribuições para o seu entorno social e para a família.

Uma comunidade é construída por centenas de acordos entre si. Acordos que operam na manutenção da vida, da pulsão existencial, dos prazeres e das partilhas que possam gerar sentido. 

Na língua yorubá Ajeum quer dizer comer junto.

FICHA TÉCNICA COMPLETA

Direção, concepção e coreografia: Djalma Moura

Intérpretes-criadores: Aysha Nascimento, Djalma Moura, Erico Santos, Marina Souza, Sabrina Dias e Victor Almeida

Artistas residentes / estagiários: Eri Sá e Juliana Nascimento

Orientação de pesquisa: Bruno Garcia Onifadé

Direção musical: Dani Nega

Colaboração sonora: Pedro Bienemann

Figurino: Núcleo Ajeum e Eder Lopes

Máscaras: Daniel Normal; Murilo de Paula e Erico Santos

Projeto e operação de luz: Juliana Jesus

Práticas de corpo: Lenny de Sousa, Letícia Tadros, Verônica Santos, Bruno de Jesus e Djalma Moura

Arte gráfica: Bruno Marciteli

Produção geral: Dafne Nascimento

Celebração e saudade: Carol Zanola, Rosa Maria de Jesus, José do Nascimento, Dona Jandira, Dona Margarida, Dona Carmelita Maria Dias, Maria Paulina Ferro e Núbia Sá Lima.